agosto 31, 2005
Soares é Xanax

"
Soares promete ser antídoto para a depressão" (
Diário Digital)
Anos após o
slogan que levou Soares a Belém,
Soares é fixe, o seu
staff repete a fórmula, desta vez com o popular anti-depressivo Xanax.
O mais lógico teria sido o recurso a um qualquer anti-depressivo tricíclico, uma vez que esta é a terceira candidatura de Soares à presidência. No entanto, a escolha recaiu na benzodiazepina da Pfizer, uma vez que o nome desta empresa remete imediatamente para o popular comprimido azul que se tornou sinónimo de vitalidade e jovialidade.
A campanha de Soares, de resto, encontra-se já delineada e promete ser uma das mais inovadoras de sempre. O
slogan principal vai ser acompanhado por outros como
Tá-se bem c'o Soares,
Quero lá saber do preço do barril de Brent e
Essa cena do défice é pós fracos. Os tradicionais autocolantes vão dar lugar a amostras de Xanax e Viagra. Os aventais vão continuar a ser de plástico mas desta feita virão adornados com rendas. As cerâmicas das Caldas trabalham dia e noite para responder às encomendas de bonequinhos com a cara do Soares.
Acho muito bem que Soares tenha decidido combater a sua depressão candidatando-se novamente. Quanto à do País, veremos.
Publicado por o.calvin em
10:49 PM
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Perguntar não ofende #37
 | | No trabalho E para que é que isso interessa? |
Publicado por o.calvin em
10:54 AM
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Sopa de letras indigesta

Já nem nas sopas de letras se pode confiar para uns momentos de inocente distracção...
Publicado por o.homem.estupendo em
10:48 AM
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agosto 30, 2005
O rosto da obra

E eis que finalmente chegou aqui à chafarica o já tão propalado cartaz de

. Esta publicidade em jeito de
rally paper tem a sua piada. Tentei várias combinações para descobrir qual seria o site de

, mas sem sucesso. www.aquelesenhorqueguardaodinheirodosobrinhonasuica.net não deu nada. www.aqueletipoquesaiudopsdantesdesercorrido.net também não.
Após muitas tentivas, descobri qual era o problema. O meu teclado não tinha a tecla

. Ao que consta, os teclados com o

são distribuídos gratuitamente aos passageiros do monocarril de Oeiras, razão pela qual se vêem tão poucos por aí. Mesmo assim, consegui encontrar um feliz proprietário de um teclado com a tecla

. É com esse teclado que estou a escrever este artigo. Eis o seu aspecto:

Não é visível na imagem, mas a barra de espaço tem uma suave barbicha muito agradável ao toque. Bom pormenor.
Publicado por o.calvin em
04:14 PM
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Caixa de sugestões

Foi-me sugerido que teria a ganhar se fosse mais cínico em algumas circunstâncias.
Disse que preferia ser sarcástico.
Foi-me sugerido que teria a ganhar se fosse menos ingénuo em algumas circunstâncias.
Publicado por o.calvin em
03:19 PM
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Acabaram-se

Férias estupendas. Acabaram-se. A luta continua.
Publicado por o.homem.estupendo em
01:26 PM
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Olhem para cima

"
Lisboa recebe competição mundial de fogo-de-artifício" (
Diário Digital)
Vamos competir com Espanha, França e Japão. Pela experiência que temos em fogos e em artifícios, o título está no papo.
Publicado por o.calvin em
12:07 AM
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agosto 29, 2005
[Lisbon Soundz] Introspecção

E quando o sol se põe no rio, nada como apreciar placidamente as cores do fim do dia reflectidas no ondular sereno do Tejo. Mesmo ao lado dos urinóis. Há cada ideia...
Publicado por o.calvin em
03:09 AM
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[Lisbon Soundz] Psicose

Pode ser que isto até seja repetitivo, mas não resisto. Festivais de Verão em Portugal são sinónimo do incontornável Hot-Dog Psicológico. Mas desta vez apresento a
piéce de resistence: a Psico-Shoarma. Nem mais nem menos. Não são pedaços de borrego num espeto a verter gordura para a chapa: é a Psi-co-Sho-ar-ma.
Não vi publicitado, mas é natural que também tenham cleptocachorros, maionese obsessiva,
ketchup neurótico e mostarda maníaca.
Tudo muito certo. Só acho é que os senhores têm a mania dos preços megalómanos.
Publicado por o.calvin em
02:53 AM
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agosto 28, 2005
Pai Nosso

Há noites em que tudo acontece e as revelações sucedem-se.
Ontem, inadvertidamente na Bicaense, tropecei no aniversário da Ana Drago. Juro que foi sem querer. Notei com curiosidade que ela é mesmo muito baixinha. A madeixa arruivada (ou será avermelhada?) que tem na franja não lhe fica mal. Nota positiva para a camisola Ming Jeans.
Como seria de esperar, a zona estava altamente
Bloqueada, o que fazia antever o momento da noite. Vi o meu pai. O vosso pai. O nosso pai. O pai da blogosfera portuguesa, Daniel Oliveira. Admito que a emoção tomou conta de mim e uma lágrima quis saltar. Reprimi-a. Olhei para o Pai Nosso e murmurei "Papá... Papá..." Não me ligou peva. Deve ter suspeitado que lhe ia pedir dinheiro.
Entregue à minha orfandade, quis afogar as mágoas. Rumei ao Incógnito e bati com o nariz na porta. "Há mesmo muita gente a tirar férias em Agosto", pensei. Decidido a ultrapassar o trauma, segui para o Jamaica. O vodka que lá se serve custa 6,00€ e é da marca Taboo. Brindei ao Cavaco. Com vodka daquele, não deviam vender preservativos junto das casas-de-banho. Deviam era vender kits de lavagem gástrica.
Segui para o Tokyo, onde fui bem tratado. Aquele sítio é um mimo para malta saudosista na casa dos trintas.
Pixies, Joy Division, Cure, New Order, GNR (no tempo do Alexandre Soares), António Variações (no tempo do António Variações). Apesar do cartaz que diz "Todos os dias, até às seis da matina", foi tudo corrido às quatro. Enquanto esperava que passasse um táxi, contei os trocos. Devia ter mesmo pedido dinheiro ao papá.
Publicado por o.calvin em
05:06 PM
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Quero o meu Ferrari

Já temos Jerónimo, já temos Soares, vamos ter Cavaco, não se sabe se teremos Alegre. O que interessa saber mesmo é: O
Candidato Vieira vai mesmo para a frente ou não?
Publicado por o.calvin em
04:32 PM
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Ócio

A cena passa-se numa movimentada esquina da noite lisboeta, no bairro da Bica. Dezenas de jovens conversam e riem à frente de um bar. Um auxiliar de acção sanitária, que doravante designarei por Jovem Almeida, circunda a multidão apanhando um ou outro copo de plástico, um ou outro maço de tabaco amarrotado. Não parece muito enérgico, mas a tarefa a mais não obriga.
A dada altura, vira-se para a multidão vibrante e fica parado durante alguns momentos a contemplá-los, segurando a vassoura. As raparigas são bonitas, os rapazes também, e todos estão divertidos. É óbvio o que está a passar pela cabeça do Jovem Almeida: "Porra, ali é que eu devia estar, não era aqui a apanhar o lixo que eles fazem".
Se bem o pensou, melhor o fez. Num repente, avança pelo meio das pessoas, encosta a vassoura à parede e entra num café defronte ao bar. Passados alguns segundos sai com uma imperial na mão. Nota-se que é outro homem. Volta a ficar imóvel observando o ajuntamento, desta feita, já sem qualquer aura de angústia. É um homem pacificado.
Vindo de outra rua, chega um colega mais velho (chamemos-lhe simplesmente Almeida), de saco do lixo pela mão, e face ao relaxe do Jovem Almeida, aborda-o: "Atão, caralho?" O jovem defende-se como pode, tentando justificar o momento de ócio: "Então... Não há nada para apanhar...". Pode até ser verdade, o que não invalida que não haja nada para fazer. Isto, de resto, fica óbvio quando o Almeida resmunga qualquer coisa enquanto transporta sacos de lixo de um lado para outro.
Chega um terceiro almeida (mais velho que os outros dois, barriguinha e cabelos brancos: será o Almeidão). Os joelhos estão ligeiramente flectidos e o passo é cauteloso. Aproxima-se do Almeida e do Jovem Almeida e diz "Ora cá está!" Traz 3 imperiais na mão. Almeida não pode vencê-los: junta-se a eles, conformado. Almeidão está feliz da vida. Jovem Almeida fica com dois copos na mão.
Publicado por o.calvin em
04:23 PM
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Uma questão de numeral

Conversa entre uma assistente social e uma sua utente:
-Mas diga-me uma coisa... Se a sua renda é o dobro do seu salário, como é que faz para a pagar?
-Ó sôtora, eu prostituo-me, não é?...
-Ah... Então e... Prostitui-se com um ou com vários?...
-Ó sôtora, com vários! Se fosse só com um, isso era o meu namorado, não é?
PS- Não é anedota.
Publicado por o.calvin em
03:38 PM
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agosto 27, 2005
Mundo Mix

"
A comunidade chinesa no Porto vai sair à rua, na próxima sexta-feira, para festejar os 60 anos da capitulação japonesa na II Guerra Mundial. Na Praça General Humberto Delgado, haverá exibições de kung-fu, capoeira, dança cubana e música da Europa de Leste" (Expresso, 27/08/2005)
Pode ser tacanhez minha, mas quando me dizem que a comunidade chinesa vai sair à rua, a última coisa que espero encontrar é capoeira, salsa cubana e a banda do Kusturica. Será que também vão servir
caipilinhas?
Publicado por o.calvin em
10:06 PM
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A-na-ni-a-na-não

O que será mais angustiante? Deixar de fumar ou deixar de fumar por não haver nada melhor para fazer?
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04:34 AM
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Erro humano

Quando os telemóveis ainda não eram uma praga, houve uma moda passageira: a dos
pagers, ou como eram mais conhecidos na altura, os bips. Eram uns bicharocos mais ou menos parecidos com o da imagem acima e só serviam para receber
SMS's. Para enviar mensagens para um bip, efectuava-se uma chamada de voz para um número de valor acrescentado e ditava-se a mensagem a uma operadora. Estas chamadas eram cobradas ao segundo a valores astronómicos, daí que a parte do ditado era efectuada tentando assumir um compromisso óptimo entre a rapidez e a perfeição da dicção.
Nos tempos deste furor, a desgraçada que na altura era minha namorada tinha um destes artefactos e tratou de me oferecer também um.
Um belo dia, estando eu na posse de dois bilhetes para a ante-estreia do Trainspotting, conseguidos com o patrocínio da saudosa
XFM, liguei para o sorvedouro de moedas da rapariga:
-Bom dia, qual é a mensagem?
-Bom dia, a mensagem é "Queres ir à ante-estreia do Trainspotting? Assinado: Calvin." (não assinei Calvin, como é óbvio, mas anonimato
oblige)
-Peço desculpa, à ante-estreia do quê?
-(Grrr... Que nervos, isto vai custar-me os olhos da cara!) Do Train!... Spotting!
-Muito bem, obrigado.
Aguardei a resposta. Nada. Nem a mais pequena mostra de interesse. Passaram-se as horas e acabei por encontrar-me com ela.
-Ouve lá, que raio de mensagem foi aquela que me mandaste?
-Hn?...
-Vê lá.
Ela estende-me o seu bip e leio a mensagem que lhe tinha chegado.
"Queres ir à ante-estreia do treino do Sporting?"
A máquina nunca se engana. Benditas
SMS's.
Publicado por o.calvin em
02:24 AM
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agosto 26, 2005
Modernaço

"
O candidato independente à Câmara Municipal de Lisboa apoiado pelo Bloco de Esquerda, José Sá Fernandes, propõe a instalação de um sistema de acesso gratuito à Internet sem fios em cinquenta espaços públicos da capital." (
Diário Digital)
Ricardo Sá Fernandes tomou o pulso à cidade, identificou os problemas de mais premente resolução e está decidido a saná-los. Os espaços públicos de Lisboa não têm nada de jeito para ver, toda a gente sabe. Logo, que coisa melhor do que invadir as esplanadas de portáteis?
Tenho mesmo pena de que Sá Fernandes não vá ser eleito. Ficaria em pulgas por ir a uma esplanada para beber um café e trocar dois dedos de conversa com alguém e não poder por estarem todas as mesas ocupadas com cromos a fazer
downloads de pornografia à borla.
Alguém já explicou ao Sá Fernandes que se calhar um
hotspot não é bem o que ele pensa?
Publicado por o.calvin em
10:40 PM
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A vida cor-de-rosa

O Mateus Rosé não é bem um vinho. É um rosé. Se estivermos conscientes desta distinção, a sua degustação pode ser uma experiência agradável (e a garrafa até é bonita).
Não obstante, Portugal é o único país do mundo onde não se bebe Mateus Rosé. Assim sendo, o que é que passou pela cabeça dos senhores da Sogrape ao investirem na campanha publicitária mais absurda dos últimos tempos (excluindo a campanha eleitoral para as Autárquicas)? Um urso cor-de-rosa? Coisas mais refrescantes? Dão-se alvíssaras a quem tenha percebido alguma coisa do anúncio.
Publicado por o.calvin em
10:18 PM
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Perguntar não ofende #36
 | | No quotidiano Não andas a fumar demais? |
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02:39 PM
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agosto 25, 2005
Factura nupcial

Cenário cada vez mais comum: Homem conhece mulher. Namoram, casam-se e vivem felizes durante meia dúzia de meses antes de se divorciarem.
Tudo muito certo. Afinal, enganos toda a gente tem, cada um sabe da sua vida, e mesmo que toda a gente veja a asneira que vão fazer, é aos nubentes que cabe a decisão final.
Até aqui, tudo muito bem. Tudo muito bem? Uma ova. Francamente, do ponto de vista do convidado que vai largar umas notas na lista de casamento, já começa a chatear. Já é patético ter que passar pelo protocolo de oferecer fragmentos de serviços: «Olhe, então vai ser... Um prato de sopa, um cinzeiro e uma saboneteira». Além de que as combinações minimamente lógicas já estão canceladas quando se aparece na loja dois ou três dias antes do casamento, como é o meu caso. No fim de tudo, acaba por ser irrelevante porque os noivos vão-se estar a borrifar para quem ofereceu o quê. Desde que esteja pago.
Mas o pior é o divórcio. Não julguem os cônjuges em ruptura que o processo só lhes custa a eles. Os convidados sentem-se defraudados. Afinal, há casamentos que acabam tão depressa que o mais certo é haver prendas que nunca foram estreadas. A vida está difícil para todos e estas coisas não ajudam.
Solução para isto? Ou a malta ganha juízo e vê bem com quem é que se vai casar (até o Diabo se ria...) ou começamos a adoptar um esquema de ressarcimento indexado à duração do matrimónio. É muito simples. Os ofertantes guardam o recibo das prendas durante 5 anos, que é o tempo mínimo para chamar de casamento a um casamento. Se a vida matrimonial cessar no espaço de um ano, então não há contemplações: é restituída a totalidade do valor das prendas aos convidados. Se chegaram a comemorar as bodas de papel mas não chegaram ao 2º ano, os convidados vêem-se compensados em 80% do valor das prendas, e assim por diante. Parece-me que esta é uma via socialmente justa para acabar com o flagelo da pesada percentagem que as prendas de casamento representam nos rendimentos familiares. E quem sabe, até evitaria algum divórcios.
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03:10 PM
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Aforismo de Atlanta

A vida é como a Coca-Cola: Às vezes dá gases, mas sabe sempre bem.
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02:32 AM
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Perguntar não ofende #35
 | | Na Soeiro Pereira Gomes Mas é para desistir ou não? |
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02:07 AM
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By the book

As Universidades estão cada vez piores. Os alunos só lá vão aprender o que lhes ensinam.
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12:01 AM
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agosto 24, 2005
Put a crime, beibi.

O empreiteiro do
Condomínio do Mar, em Lagos, deve estar a sentir dificuldades em vender os apartamentos, daí ter empreendido esforços na mais irritante acção de marketing directo: a brochura entalada no limpa pára-brisas. Desta vez, porém, a bula captou-me a atenção. Não pelos apartamentos, que só pelo facto de terem um churrasco na varanda, virado para a estrada, me dão náuseas ao imaginar um dia em que todos os condóminos se lembrem de assar umas sardinhas na varanda. A particularidade está na chocante tradução para inglês do texto promocional. É impossível que não haja aqui um dedinho do Zézé Camarinha. Ora comprovem.
| Este condomínio está dotado de vários espaços de lazer, o que é óptimo para quem tem crianças. | This complex complete with leisure spaces, wich are excellent for children. |
| Depois de conhecer o Condomínio do Mar e tudo aquilo que nos oferece, o que mais me agrada é a sua excelente localização. | After to know Condomínio do Mar and everything what it offers, what more it pleases me it’s the excellent location. |
| À noite, nada melhor do que aproveitar o luar para um passeio pelos bares e esplanadas. | At night, nothing better than take advantage of the moonlight to take a walk by bars and esplanades. |
| Um aspecto essencial da minha escolha foi a possibilidade de Rentabilização que me oferece o Condomínio do Mar. Pude assim adquirir um imóvel com elevada capacidade de valorização pela zona de expansão turística em que se insere, ao mesmo tempo que posso gozar uns merecidos dias de descanso sempre que para tal tiver oportunidade. | An essential aspect of choosing Condomínio do Mar is the Profitability that it offers. I could acquire a property with high earning capacity in a zone of tourist expansion, at the same time enjoying a deserved days to relax if I have the opportunity! |
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09:10 PM
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Aforismo do celulóide

A vida é como o cinema: Se estivermos sempre à espera da melhor altura para ir ver um filme, o mais certo é ele sair de cartaz.
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08:08 PM
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Com os tomates

É-lhe atribuída a autoria do
ketchup quando decidiu substituir o peixe do
catsup (molho oriental trazido para o Ocidente pelos ingleses) por tomate.
Construiu piscinas e terraços com jardins para os seus empregados.
Os refeitórios das suas fábricas tinham música ao vivo.
As suas empregadas que manuseassem alimentos tinham serviço de
manicure.
Durante a Grande Depressão, não despediu um único empregado, tendo mesmo contratado mais.
Foi o único produtor de alimentos a apoiar uma lei proposta por
Teddy Roosevelt que regulamentava as condições de higiene no processamento massivo de alimentos.
Foi dos primeiros a aplicar o conceito de economia global, abrindo várias fábricas em Inglaterra e posteriormente em outros pontos da Europa.
Comprou
Spitfires que ofereceu à Força Aérea Britânica na
I Grande Guerra.
Realojou um empregado seu porque o filho dele usava uma cadeira de rodas e viviam numa casa cujo acesso tinha escadas.
Inventou o
marketing, oferecendo milhões de alfinetes de lapela com um
pickle e criando uma marca: a
Heinz 57, fazendo referência às 57 variedades de alimentos que produzia. (Na verdade, produzia mais, mas gostava do número 57.)
Deixou um legado filantrópico incomum para a época, que foi prosseguido pelo seu filho, pelo seu neto, e hoje em dia pela
Heinz Family PhilanthropiesDizia que «o poder do coração é maior do que o poder da força».
Não foi um pai afectuoso, nem consta que tivesse sido um melhor marido.
Chamava-se Henry John Heinz, nasceu em 1844 e morreu em 1919. Nasceu há 161 anos.
Publicado por o.calvin em
01:03 AM
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agosto 23, 2005
Drag candidate

"
Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, manteve ontem o tabu sobre o nome do candidato daquele partido às próximas presidenciais, mas não desmentiu a possibilidade de os comunistas poderem perfilar uma mulher na corrida a Belém." (
Correio da Manhã, 21-08-2005)
"
Jerónimo de Sousa é o candidato do PCP à Presidência da República" (
Público 23-08-2005)
Acho que seria conveniente uma clarificação sobre este assunto.
Em todo o caso, sem entrar em grandes detalhes.
Publicado por o.calvin em
11:38 PM
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Cartazes de espectáculo
As eleições autárquicas trazem invariavelmente os cartazes de campanhas mais cómicos a que o eleitorado e o público em geral pode assistir. Em Lisboa, estamos conversados:
Temos o Carmona rodeado de pigmeus, o Carrilho e a Maria de Belém em pose de Marretas, a Nogueira Pinto numa fotografia com enquadramento dramático e pose de executiva que come iogurtes com L. Casei Imunitass, Ruben de Fonseca a clamar por soluções para Lisboa, quando pela sua fotografia, mais parece precisar de soluções para ele (E depois parece que ainda há um candidato que é gente e que gosta de Lisboa. Disseram-me que também é candidato. Sim, parece que sim).
Tudo isto são anedotas de salão comparado com as bombas criativas que explodem por esse Portugal fora.
Rumemos, pois, a Vila do Bispo, com os olhos postos nos cartazes de Rui Correia, candidato à edilidade local pelo PS, que, tanto quanto é dado a avaliar pela propaganda, conseguiu (como está muito em voga dizer) reunir uma ampla base de apoio. A população de Vila do Bispo foi tipificada e anuncia com garbo o seu apoio ao candidato Rui. O primeiro a fazê-lo é o dinâmico Luís F. Duarte, bodyboarder acabadinho de sair da água.

Luís F. Duarte apoia Rui Correia «porque ele vem trazer a mudança que os jovens precisam». Deve estar a falar de um swell ordenado.
De seguida, Ventura Clímaco, pescador, surge de olhos postos no futuro numa pose de rectidão inabalável no meio das vagas revoltas.

Este invejável equilíbrio deve-se indubitavelmente ao apoio que dá a Rui Correia, «porque ele vai ajudar a resolver os problemas dos pescadores».
Uns metros mais à frente temos Idalina Rosado, reformada, apoiando Rui Correia da sua janela com um ar todo larocas. Isto, «porque ele vai ajudar os mais idosos».
Finalmente, a pérola da panaceia Rui Correia. Já temos as três gerações de Vila do Bispo. Bodyboarders, pescadores e reformados. O que é que falta? Samantha Jayne, inglesa em Burgau.
Fica por perceber se será inglesa em mais algum lado, mas sê-lo-á seguramente em Burgau e é de lá que vem o seu apoio a Rui Correia «porque nos garante um turismo de qualidade». Rui Correia é tão bom que até tem o apoio de uma turista inglesa que não vai votar. Por estas e por outras é que às vezes me dá vontade de mudar de profissão. Para inglês, naturalmente.
Mas rumando a Altura, temos aquele que para mim é O cartaz de campanha deste ano. A nitidez e o enquadramento das fotografias. A pose confiante da candidata. O grafismo arrojado. Os elementos gráficos. O texto. Tudo se conjuga harmoniosamente neste pout-pourri visual de belo efeito. Ora apreciem, que eu já não me atrevo a dizer mais nada.
Publicado por o.calvin em
03:52 PM
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Arre!

"
Uma festa popular em S. Gens, Gondomar, com lançamento de fogo-de-artíficio à mistura, acabou por provocar um incêndio, anteontem de manhã, que demorou mais de 12 horas a ser combatido." (
Público)
Já não há condescendência que nos valha. Não é distracção, não é ignorância, não é falta de jeito: é burrice.
Publicado por o.calvin em
01:44 PM
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Na cidade, como na selva

A explosão do betão já aconteceu em Lagos e continua alegremente a descaracterizar a cidade. Habitações que serão ocupadas durante três meses num ano, nascem como cogumelos por toda a parte. A até agora preservada zona da Meia Praia tem um plano de betonização imenso, a que o Presidente da Câmara de Lagos chama de ‘desenvolvimento’. Na restauração, tudo na mesma: salvo raras e louváveis excepções, as mais elementares regras de boa educação (já nem falo de simpatia, mesmo que aparente) parecem ser esquecidas quando o cliente fala em português.
A fotografia, tirada na praia de Porto de Mós, ilustra apenas um das muitas facetas da selvajaria vigente: Moradias de luxo a escassos metros de uma arriba instável que a cada Inverno deposita algumas toneladas de rocha argilosa na areia da praia.
O agente imobiliário que conseguir vender apartamentos ali só pode ser o gajo com mais lábia a norte de Marrocos.
Publicado por o.calvin em
11:17 AM
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agosto 22, 2005
Com licença

A fotografia foi tirada em Lagos, mas poderia ter sido tirada noutro sítio qualquer do país. Anúncio de apartamentos à venda com especial menção para a existência de uma licença de habitação para os mesmos.
Na minha ingenuidade, sempre pensei que uma casa não pudesse ser vendida sem esta licença, mas pelos vistos tenho andado muito enganado. Resta-me esperar para encontrar publicidade que dê especial ênfase à existência de tomadas eléctricas e canalizações de esgotos.
Publicado por o.calvin em
10:05 PM
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Sem rodeios

Em Lagos, diz-se não à hipocrisia. As coisas tratam-se pelos nomes. Se alguém abrir uma clínica onde se trata de varizes, porque não chamá-la de Clínica de Varizes? É certo que não chegaram ao ponto de usar umas varizes como logotipo, mas a opção erotismo soft parece-me pecar por deslocada (ou no mínimo, enganadora).
Publicado por o.calvin em
09:59 PM
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Tenham piedade

Em Lagos, mais propriamente na Ponta da Piedade (nota mental: este topónimo dá direito a um post), apresento este magnífico exemplo de turismo responsável.
Debaixo do graffiti manhoso que se vê na fotografia e que anuncia a direcção das visitas de barco às grutas, consegue-se (não sem um assinalável esforço) perceber que aquele cartaz improvisado não era mais do que uma advertência para que os visitantes guardassem uma distância de segurança ao apreciarem a vista para o mar por força da instabilidade das arribas e do consequente perigo de desmoronamento.
Os responsáveis (?) pelas ditas visitas não tiveram ponta de piedade em obliterar o aviso (sem dúvida, a bem do turismo).
Aproveitando a deixa e movido por uma curiosidade mórbida, quis ver o ponto de partida das ditas visitas. Deparei-me com isto:

Qualquer coisa a meio caminho entre um ferro velho e um contentor de entulho. Se tivesse que me desfazer de um cadáver, era aqui que viria.
Publicado por o.calvin em
09:51 PM
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Rentrée


De volta, depois uma prazenteira estimulação melanínica pelo reino dos Algarves. As férias ainda continuam, mas as do blog terminaram. E claro, há muito para contar.
Let the show begin.
Publicado por o.calvin em
09:36 PM
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agosto 12, 2005
Férias

Pois é. Não há pelintra nenhum que não se lembre de tirar férias em Agosto. A mesma turba que se atropela um ano inteiro reencontra-se uns quilómetros mais abaixo para se atropelar à mesma, só que desta feita, num sítio com mais areia e mais mosquitos.
Confirmando a natureza mui pelintra deste blog, os seus redactores seguem a mesma bitola e irão tostar debaixo do sol durante alguns dias. As hostilidades recomeçarão algures entre o dia 20 e o dia 27 (férias altamente planeadas, como vêem).
Assim sendo, a gente já volta.
Publicado por o.calvin em
06:01 PM
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Dá-me cinco

Há uns tempos recebi um mail de uma amiga minha convidando-me fazer o registo no
hi5. Assim o fiz. Fiquei zonzo assim que vi as dezenas de opções que tinha à disposição e nunca mais liguei nenhuma àquilo, até porque me escapava a utilidade da coisa: para contactar os meus amigos, não me faltam meios para o fazer e não me parece que o
hi5 seja melhor do que todos os outros.
Mais tarde, explicaram-me que à medida que se vai formando a ‘rede de amigos’ (todos os amigos dos amigos e por aí fora), o
hi5 acaba por ter piada quando por acaso encontramos pessoas que já não vemos há anos. Expliquei que dificilmente consideraria isso um aspecto positivo, dado que se há alguém que não vejo há anos, deve haver uma boa razão para isso.
Esta semana recebi mais dois convites. Se fosse de um gajo, mandava-o passear, mas como eram duas amigas bem giras, cedi. Desta vez tentei dar algum crédito ao
hi5, o que começou por ser difícil ao espreitar para um perfil de uma delas e ver a opção
Give’em Five. Dar-lhe cinco? Cinco quê? Toma lá cinco? Que raio é isto?
Como não sou homem de me ficar, resolvi mesmo dar-lhe cinco. Cinco quê, ainda estava por descobrir, mas cedo sosseguei. Não era dar cinco de nada, era dar Cincos. Assim como quando a
RTP exibe uma série qualquer da
BBC, têm a mania de apresentá-la como "uma série com a qualidade a que a chancela da
BBC já nos habituou", eu devia dar uma chancela de qualquer coisa à rapariga. Segundo a descrição na página, ‘os Cincos são uma maneira engraçada de definir a moça ou a sua relação com ela’. E é de facto engraçado: Como a rapariga é do Sporting, não levou Cinco nenhum.
Continuando a navegar por aquela balbúrdia toda, decidi olhar atentamente para a minha
Homepage. Do lado direito, debaixo do título
Members in Your Network, duas fotografias de uma mocinhas bem engraçadas. Acho que vou dar o benefício da dúvida ao
hi5. Afinal de contas até teria piada reencontrar o
JP, meu colega do 12º ano. Era um tipo fixe, onde é que andará?
Publicado por o.calvin em
12:02 AM
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agosto 11, 2005
O timing é tudo

Nesta vida e seja lá no que for, o
timing é tudo. A comprová-lo, o mail que recebi há pouco:
Subject: CORTE DE LUZ IMEDIATO!
Fomos agora avisados (13h00) que por questoes externas a electricidade terá de ser cortada no nosso edificio por algum tempo.
Se vos possivel
Publicado por o.calvin em
04:01 PM
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A pensar morreu um burro

Runaway, Norman Rockwell
Nos Correios vendem-se
T-shirts (ou em terminologia de
bullshiting, isto significa que estão a diversificar a oferta com produtos fora do seu
core business). Uma delas, claramente direccionada para o turista estrangeiro, diz
THINK after leaving Portugal. Escapa-me a lógica. No entanto, fico à espera da versão para portugueses com a frase
THINK in leaving Portugal.
Publicado por o.calvin em
12:10 PM
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Significado cristalino

Esta história merece ser contada por ser verídica e completamente absurda. Para perceberem quão absurda, quando a conto sem a corroboração da sua única testemunha além de mim, toda a gente torce o nariz e pergunta se estou a gozar. Pode ser que alguém vislumbre uma lógica no que aconteceu porque eu já esgotei todas as alternativas (na verdade, não desencantei nenhuma).
Tinha sido um dia perfeitamente abjecto em todos os planos e enquanto me arrastava pelo cais da estação de Metro do Campo Pequeno, fazia o relato das misérias a uma amiga que me acompanhava. O limiar de saturação às intempéries do destino há muito que tinha sido ultrapassado, pelo que os mecanismos naturais de protecção pessoal já tinham sido activados, nomeadamente, a introdução de notas irónicas no relato que tornavam a descrições mais atractivas para a ouvinte, que se ria a bom rir.
Enquanto avançávamos pelo cais, ultrapassámos dois senhores bem parecidos, de fato e gravata, que pareciam conversar calmamente enquanto davam passos tão serenos como a própria conversa.Já à frente, vejo uma carica no chão. Acto contínuo, e à falta de uma lata, dei-lhe um pontapé e segui-a com a vista. Acabou encostada à parede, para minha frustração, que desejei vê-la voar para os carris. A minha amiga gracejou que talvez não fosse prudente andar a dar pontapés em caricas, pois com a vaga de azar que me acompanhava, ainda me arriscava a partir alguma coisa na estação. Risos, ahahah, e sentámo-nos uns metros mais à frente.
Alguns segundos depois, os dois senhores que tínhamos ultrapassado aproximam-se de nós e um deles aborda-me.
-Por favor...
-Sim? (respondi, solícito, ao que pensei que fosse uma introdução para o habitual «é deste lado que se apanha o metro para o Marquês?»)
-O senhor deu um pontapé numa carica...
-Sim? (respondi, já não sei se atónito, se aterrado, à introdução do que não fazia ideia do que pudesse vir a ser.)
-Sabe onde é que ela foi parar? É que aquela carica tem muito significado para mim...
A minha amiga olhava para nós de boca aberta. Eu, salvo erro, não disse nada. Só pensei que aquilo não me estava a acontecer. Não parecia haver câmaras escondidas e não vi ninguém parecido com o
David Lynch.
Aparvalhado, apavorado, afónico, levantei-me como um raio, disparado em direcção à carica, cujo local para onde a tinha atirado felizmente ainda retinha na memória. Naquele trajecto, que me pareceu durar dias, a frase "aquela carica tem muito significado para mim" ia ecoando na minha cabeça. Pelo meio pensei quando é que tinha tirado férias pela última vez ou se no último fim-de-semana teria ido a algum sítio que servisse vodka do Lidl.
Apanhei a carica e examinei-a minuciosamente. Uma vulgar carica de cerveja Cristal. Nada de assinalável, nem de um lado, nem do outro. Aquilo não podia estar a acontecer. Dirigi-me à subtraída criatura e restitui-lhe o precioso acervo. Ele agradeceu e afastou-se, retomando a calma conversa com o amigo num plácido caminhar.
Aquela carica tem muito significado para mim? Uma carica?!? No chão do Metro? Cristal?
Publicado por o.calvin em
12:52 AM
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agosto 10, 2005
É para a chuva

Parece-me unânime que de todas as maneiras possíveis que há para alguém se proteger da chuva, a mais patética é sem dúvida o saco de plástico barulhento do Continente enfiado na cabeça.
Publicado por o.calvin em
01:10 AM
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Cautela

"
O Governo vai fazer um levantamento exaustivo das zonas do país afectadas pelos incêndios antes de decidir sobre uma eventual declaração de calamidade pública" (
Público)
Pois claro. Convém sempre alguma precaução nestas coisas. Até porque não dá para perceber muito bem se isto é uma situação de calamidade pública - afinal, os portugueses gostam muito de exagerar. No desleixo, na desonestidade, no desinteresse, na falta de escrúpulos. Daí que haja precedentes que lançam razoáveis dúvidas sobre se estamos ou não perante uma calamidade pública.
Publicado por o.calvin em
12:52 AM
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agosto 09, 2005
Perguntar não ofende #34
 | | Na berma da estrada O senhor sabe que circulava a uma velocidade superior a 90 quilómetros horários? |
Publicado por o.calvin em
10:33 AM
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agosto 08, 2005
Históricos

Qualquer semelhança entre esta imagem e as Presidenciais é mera coincidência.
Publicado por o.calvin em
12:18 AM
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agosto 07, 2005
Surreal

No jornal Público de hoje, surge destacado, com naturalidade, um programa sobre Michel Giacometti (1929-1990), corso, etnógrafo, responsável pelo mais exaustivo levantamento e registo de música popular portuguesa. O destaque é ilustrado com uma fotografia de esculturas de Alberto Giacometti (1901-1966), suíço, escultor e pintor surrealista.
Pesquisa feita à pressa no Google?...
Publicado por o.calvin em
09:25 PM
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Perguntar não ofende #33
 | | Entre desconhecidos Arranjas-me um cigarrinho? |
Publicado por o.calvin em
06:29 PM
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[Sudoeste 2005] De graça

Ninguém pode acusar o
IPJ de falta de iniciativa. Questiono, no entanto, a adequação da mesma.
O posto do
IPJ ficava num canto manhoso do recinto, a poucos metros de umas nauseabundas casas de banho móveis. Três senhoras de ar formal sentadas atrás de uma secretária distribuem preservativos a quem os quiser usar. Enquanto tiro a fotografia, uma delas, bastante simpática, corre atrás de mim para me dar um envelope
A4 com folhetos informativos e um preservativo lá dentro. Muito prático.
Mas o anedótico é mesmo a palavra 'grátis'. Um bilhete para os 4 dias do Festival são 60€. Para um único dia, são 35€. As barracas de cerveja não tem caixas registadoras para guardar o dinheiro: têm caixotes de papelão. Se alguém ali não usou preservativo, não foi por não ter dinheiro.
Publicado por o.calvin em
05:28 PM
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[Sudoeste 2005] Tradição

É reconfortante, nestes tempos de alimentação globalizada e indiferenciada, ver a defesa de um dos estandartes da gastronomia nacional; o tradicional pão com chouriço cozido num tradicional forno de... maçarico a gás.
Publicado por o.calvin em
05:15 PM
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[Sudoeste 2005] Lógico


Palavras para quê? É a barraca de cachorros Psicológico. A origem do nome é um mistério. O meu único palpite tem a var com os eventuais danos decorrentes de ir comer um cachorro a um albergue com tanto estímulo visual cromático.
Mesmo ao lado, estava a sucursal vocacionada, não para o chouriço psicológico, como a fotografia pode dar a entender por ter ficado mal enquadrada, mas sim do Pão com Chouriço Psicológico. É impossível não ficar a pensar largos minutos na expressão 'Pão com Chouriço Psicológico'.
Publicado por o.calvin em
05:08 PM
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[Sudoeste 2005] Qual música?

Primeira conclusão a tirar do Festival Sudoeste. A maior parte das pessoas que lá está, não está a assistir a concerto nenhum. As actividades paralelas vão desde assistir ao jogo de apresentação do Benfica, andar em carrinhos de choque, procurar parceiro para a noite, ficar prostrado no chão em estado semi-comatoso, mas acima de tudo, comer muito e beber mais. O Festival da Gastronomia de Santarém devia pensar numa sinergia com o Sudoeste.
Publicado por o.calvin em
05:01 PM
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agosto 05, 2005
RABENTA TUDO!!!

19:00 - Hobbes está oficialmente de férias.
Oficialmente, porque oficiosamente ainda falta o trabalho de fim-de-semana nos bares do costume... e depois... venham elas... as esperadas, desejadas, amadas e nunca tão bem conquistadas FÉRIAS! É um mundo mágico!
Publicado por o.hobbes em
07:10 PM
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Perguntar não ofende #32
 | | No telejornal Você acha que eu minto aos portugueses? |
Publicado por o.hobbes em
05:57 PM
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Perguntar não ofende #31
 | | No casal Quem era aquele/a com quem estavas a falar? |
Publicado por o.calvin em
02:27 AM
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No fio da navalha

É impossível não admitir a revisão de prioridades quando a coisa mais excitante que acontece durante um dia inteiro é chegar à bomba de gasolina com 2
dl no depósito.
Publicado por o.calvin em
02:23 AM
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Hit the juice, Jack!

Quem nunca se plantou (utilização nada negligente do verbo, dado o estado vegetativo que se atinge) a ver as televendas depois de uma boa noite de copos, mente. Não há que ter vergonha: é uma (in)actividade extremamente prazenteira.
Tenho uma predilecção particular pela apresentação do
Jack la Lanne’s Power Juicer, a melhor máquina de sumos do mundo. Deve ser a pior publicidade que já vi em toda a minha vida. Passo a indicar os pormenores mais sumarentos.
As maravilhas do
Power Juicer são-nos discorridas pelo seu criador,
Jack la Lanne, coadjuvado por
Elaine, sua cara metade, e por uma conivente apresentadora.
Antes de passarem à acção propriamente dita, tentam sensibilizar o alarve espectador (não esquecer que isto é
Made in USA) que anda a rebentar as artérias com a porcaria que come, justificando assim a necessidade premente de uma dieta líquida à base de frutas e verduras. Como é que se faz esta prova de conceito? À americana: do modo mais idiota. O bom do
Jack pega num alguidar e desata a entornar lá para dentro toda a espécie de lixo de que lhe passou pela cabeça e que ele diz ser a ementa típica no dia da vida de um americano comum. Hamburgueres, batatas fritas, Coca-Cola e café fazem o grosso da descarga, complementada com um cinzeiro cheio de beatas (sim, para o bom do
Jack, o execrável fumador vai lambendo a cinza enquanto fuma e apaga o cigarro na boca para o engolir de seguida). Para levar a audiência à náusea,
Jack faz questão de mexer esta chafurdice toda.
Durante o programa,
Jack refere que mantém aquela saúde e vitalidade por se empanturrar de sumos. A coisa quase que pega, não fosse ele ser um velhote de fraca figura com um ar tudo menos saudável, como se comprova na imagem acima.
Durante a demonstração, nunca descascam nada para provar o poder esmagador do
Power Juicer. Ninguém me convence que um sumo de kiwi ou de laranja com casca é saboroso. E quero lá saber que seja saudável.
A apresentadora a dada altura cospe uma pérolas de brilho bem americano. Acerca dos sumos de pacote: «Fazem mal à saúde, estão cheios de conservantes, coisas que só fazem mal, vejam isto: Ácido ascórbico, ...». Mais tarde, acerca dos sumos do
Jack: «São óptimos para a saúde, com muita Vitamina C!, ...»
Finalmente, a estratégia publicitária mais divertida de todas: «Antes, o
Power Juicer era 200€! Agora são só 119€!» "Antes"? "Antes", quando?!? Onde?!?
De resto, é um facto que a máquina até tem bom aspecto...
Publicado por o.calvin em
01:50 AM
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No Céu tudo é perfeito

"
Horta e Costa: suspeita de financiamento por parte da Portugal Telecom «é uma heresia»" (
Público)
"
Espírito Santo nega envolvimento em financiamento ilegal de partidos brasileiros"(
Público)
As peças do
puzzle encaixam todas. Horta e Costa diz o que diz porque pelos vistos tem
mesmo bons conhecimentos.
Publicado por o.calvin em
12:57 AM
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agosto 04, 2005
Perguntar não ofende #30
 | | No casal Eu não te disse?... |
Publicado por o.calvin em
12:27 AM
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agosto 03, 2005
Reflexo condicionado

Tanto o Carmona Rodrigues como o Manuel Maria Carrilho têm cartazes junto à
ETAR da Avenida de Ceuta.
Pergunto-me se isto virá a ter consequências pavlovianas. Pelo menos, por enquanto, ainda não entro na casa-de-banho a arregaçar as mangas nem a exercitar a retórica.
Publicado por o.calvin em
09:47 AM
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Recordações de infância #2

Quando era miúdo e ainda não conseguia abarcar as subtilezas da língua inglesa, não percebia qual era o sentido do título da música de
Bob Marley,
No woman, no cry.
Aquilo não encaixava. Basicamente, interpretava a coisa como no anúncio da Smint:
No Smint: no kiss! No woman: no cry!. Da premissa, a dedução.
Para o meu modelo da realidade permanecer correcto e completo, decidi classificar a frase como o equivalente jamaicano ao nosso "Deixa lá, pá: as mulheres só dão é chatices..."
Publicado por o.calvin em
01:09 AM
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Aquele abraço

O Genial Gilberto Gil é único que consegue pegar no
Imagine do
John Lennon e transformá-lo numa música audível. Bendito samba.
Publicado por o.calvin em
12:57 AM
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agosto 02, 2005
Excuse me...

A Torre de Babel, M. C. Escher
Qualquer português é poliglota, ou pelo menos está convencido disso. As evidências estão em qualquer esquina onde haja turistas perdidos na demanda de direcções. Ao solicitar ajuda a um indígena local, este sabe como agir prontamente. Capta os fonemas mais característicos da língua do interlocutor (mesmo que não a consiga identificar) e fala em português (e agora vem o truque de génio) mas muito lentamente e muito alto, com um toque da pronúncia previamente identificada.
Não me esqueço do condutor da Carris que tentava explicar a um casal de ingleses que autocarro deveriam apanhar para irem até à Expo: "SÁSSENTÁ... E OUITÔ!" Como se não percebessem, ele repetiu: "SÁÁÁ-SSEEEN-TÁÁ... EEE OOOUI-TÔÔÔÔ!"
Nós, os portugueses, estamos definitivamente vocacionados para a universalidade. Só não nos entendemos uns aos outros.
Publicado por o.calvin em
08:16 PM
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Made In Portugal

O Verão e o seu calor já aí estão há algum tempo. O Agosto, no entanto, só agora chegou... Como ter a certeza? É simples - pelo regresso anual da epidemia de cartazes publicitários dedicados a música inócua e inconsequente, que se pode ver por toda a Lisboa. Não, não estou a falar dos Queen, mas sim da música popular portuguesa, mais conhecida por (longo e seco rufar de tambores...) "
música pimba".
Pois é. Em Agosto, os "
imigrâns de vacanças" entram a gosto no nosso país e trazem com eles muito dinheiro para queimar. Uma das coisas em que eles gostam de gastar o capital ganho a acartar tijolo no estrangeiro é a música portuguesa. De preferência música que seja ao mesmo tempo alegre e saudosista, e produzida pelos melhores artistas que deste solo lusitano tenham brotado.
Vai daí, as editoras (como é da sua obrigação, não estou aqui a apontar dedos) desatam a lançar o seu produto na praça, e é ver os cartazes a cobrirem meia Lisboa. Ágata, José Alberto Reis, José Malhoa, Emanuel, Adriana, Roberto Leal e muitos, muitos mais, têm finalmente o seu momento de glória. Saem dos seus buracos, um pouco encandeados pela luz de Verão, e em pouco tempo estão prontos para saltar para os palcos dessas terrinhas do nosso Portugal, onde pulam e batem palmas efusivamente, ao som de ritmos e melodias contagiantes.
Pão e circo?
Publicado por o.homem.estupendo em
10:20 AM
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Last action hero

Na escola primária ensinaram-me que o Camões, no meio de um vendaval no mar alto, nadou heroicamente só com um braço enquanto segurava os Lusíadas no outro.
Sinceramente, é só a mim que esta história cheira a esturro? É que convenhamos, na altura não havia ginásios e a malta era subnutrida. Onde é que o Camões foi buscar o cabedal para aquilo? À pala do olho?
Publicado por o.calvin em
10:10 AM
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Perguntar não ofende #29
 | | No casal (Com ar distraído) Ahmmmm... O que é que disseste? |
Publicado por o.calvin em
01:47 AM
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agosto 01, 2005
Perguntar não ofende #28
 | | Nas compras Precisas mesmo disso? |
Publicado por o.calvin em
09:20 AM
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Posso jogar?

Na época estival há um fenómeno que se repete em qualquer praia minimamente movimentada e que me dá sempre imenso gozo assistir.
Um grupo de rapazes joga voleibol à beira-mar. Jogam todos razoavelmente bem. Surge uma amiga que também quer jogar. Todos acham que ela não acerta uma, mas tudo bem: como é gira, a intromissão é tolerada porque até vai ser fixe ficarem a vê-la jogar, e se possível, vê-la apanhar a bola se ela for ao chão. As expectativas confirmam-se e quando a bola chega à moça, é certo que a coisa vai correr mal. Mas pronto, a razão entre o tempo de jogo e a paragem para ver a miúda não atinge o limiar de saturação e a coisa vai-se aguentando.
Chega outra amiga. Também gira. Também com pouco jeito para o voleibol. Aqui a coisa complica-se. Já se torna difícil que a bola não chegue a uma das duas divas. Dar três toques seguidos já é uma proeza. Sucedem-se as corridas desesperadas dos rapazes e bolas perdidas para a zona de chapéus, rematadas por envergonhados "Desculpe...". Os machos, minutos antes divertidos com a perspectiva "
Baywatch" de verem as amigas em poses sensuais, já vão olhando para o lado quando alguma delas não acerta na bola e se ri muito com a azelhice enquanto parece demorar dias a ir buscar a bola.
Os desportistas mais flexíveis iludem o enfado com a postura do pavão, ou seja, fazem palhaçadas desajeitadas e atiram a bola deliberadamente para elas, como que a dizer "Vêem? Eu também só faço disparates e podemos divertirmo-nos todos à mesma!". Esta postura ainda causa mais irritação aos restantes, pois têm que passar a considerar o pavão como mais uma miúda. A perspectiva de uns toques prazenteiros de voleibol está irremediavelmente perdida e os olhares fugidios para a outra ponta da praia aumentam até que um deles resolve acabar com a questão e sai do grupo para ir à água. Os outros concordam em uníssono ser uma boa ideia e acaba tudo a tomar banho, sendo tipicamente o pavão que fica com a bola e que tem de ser ele a levá-la para as toalhas, como castigo.
Publicado por o.calvin em
12:04 AM
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